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Idec propõe debate sobre informações em rótulos de alimentos para crianças

 

As tabelas atuais nas embalagens da maioria dos produtos industrializados, principalmente os dirigidos para crianças, não fazem distinção entre as necessidades nutricionais de adultos e crianças. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) analisou rótulos de oito produtos e concluiu que, em metade deles, as crianças consomem até oito vezes mais sódio do que a quantidade diária recomendada para um adulto. Produtos como biscoitos, frango empanado, macarrão instantâneo, bolinho doce e salgadinhos de milho e outros alimentos industrializados, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devem mostrar nos rótulos a tabela nutricional com indicações das quantidades de calorias, gordura, carboidratos e sódio que o produto contém.

Os fabricantes têm cumprido a legislação. Mas, diante do aumento dos casos de obesidade infantil - hoje, um em cada três meninos e meninas de 5 a 9 anos está acima do peso normal para a idade, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE - o Idec propõe um debate público para que os valores indicados nos alimentos com apelo infantil - aqueles com desenhos de personagens, cores vibrantes, brindes, entre outros itens - sejam adaptados.

Manual da Anvisa alerta sobre consumo excessivo de sódio

Algumas empresas divulgam em seus sites tabelas nutricionais para diferentes faixas etárias, mas nem todas realizam essa prática.

- Uma das bases do Código de Defesa do Consumidor é o direito à informação. E é isso que não está sendo respeitado. Embora a Anvisa ainda não tenha norma específica para rótulos de produtos para crianças, creio que as empresas poderiam se antecipar e promover essa mudança. Seria uma iniciativa de responsabilidade social - afirma afirma Karina Alfano, gerente de relacionamento do Idec e coordenadora do levantamento.

De acordo com o instituto, em relação à dieta de duas mil calorias diárias, indicada para adultos, o percentual de sódio do minichicken Turma da Mônica, por exemplo, representa 38% da quantidade diária recomendada. Considerando as necessidades de uma criança com idade entre 4 e 6 anos, a quantidade do nutriente presente no alimento representa 306% do indicado.

O percentual de sódio do salgadinho Fandangos, segundo a análise do Idec, é de 8% para um adulto, mas para uma criança entre 4 e 6 anos, a quantidade é de 63%.

Um alerta sobre as consequências da ingestão excessiva de sódio consta do manual da Anvisa produzido para ajudar o consumidor a "interpretar" as tabelas de informação nutricional nos rótulos. "O sódio está presente no sal de cozinha e em alimentos industrializados (salgadinhos de pacote, molhos prontos, embutidos, produtos enlatados com salmoura) devendo ser consumido com moderação, uma vez que o consumo excessivo pode levar ao aumento da pressão arterial. Evite os alimentos que possuem alto percentual de valores diários recomendados (VDR) em sódio", ressalta o texto produzido pela agência reguladora.

- As necessidades nutricionais das crianças são muito diferentes das de um adulto, usar o parâmetro de um adulto pode confundir e levar a enganos. É importante que os pais estejam atentos a isso. Seria necessário que produtos destinados ao público infantil trouxessem os valores diários recomendados para este grupo. Ou um aviso de fácil leitura junto da tabela de informação nutricional informando que aquela é uma recomendação para adultos - sugere Daniel Bandoni, professor adjunto do curso de nutrição da Universidade Federal de São Paulo (USP).

As empresas, no entanto, argumentam estar cumprindo a lei. Em nota, a Bimbo do Brasil, detentora da marca do bolinho Ana Maria, informou que "atua em consonância com as determinações legais exigidas pela legislação brasileira vigente em relação a produção e a rotulagem de seus produtos." A resposta da fabricante do biscoito Trakinas, é semelhante: "A Kraft Foods informa que cumpre com todas as legislações vigentes aplicáveis ao seus produtos."

Fabricante do salgadinho Fandangos, a PepsiCo Brasil, diz cumprir a legislação vigente "em todos os países onde opera e reitera o respeito à comunidade em seus quase 60 anos de atuação no país." E acrescenta que "em relação à pesquisa divulgada pelo Idec, a empresa informa que atua de acordo com a norma da Anvisa número 359/2003 que recomenda que dados nutricionais diários para indivíduos acima de 36 meses sejam baseados em informações de duas mil calorias".

Empresas afirmam seguir legislação sobre rotulagem

A BRF Brasil Foods, que produz o minichicken Turma da Mônica Perdigão, afirmou que já coloca à disposição produtos melhorados com teor reduzido de sódio e gordura.

"Diferentemente do exposto pelo Idec, o Valor Diário de Referência (VDR) para sódio para crianças não é de 300mg, bem como a parcela de valor diário por porção de calorias e sódio nos produtos Turma da Mônica Perdigão não é de 38% para adultos e 306% para crianças. Com o perfil nutricional melhorado, os produtos têm de 13% a 14% de VDR de calorias e 20 a 22% do VDR de sódio por porção, considerando uma dieta de 2 mil calorias. Considerando 1.200 mg de sódio, que é a necessidade para crianças de 4 a 8 anos, a parcela do VDR vai de 40 a 43%", justificou a empresa.

Na avaliação da advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), mesmo cumprindo a lei, as empresas deveriam se envolver no debate proposto pelo Idec e "fazer mais, não apenas o mínimo".

- A comunicação mercadológica dirigida a crianças não deveria acontecer. Mas a iniciativa do Idec é muito válida. Afinal, muitos pais acabam comprando esses produtos porque na embalagem há destaque para as vitaminas que o produto contém. E pode ser verdade. Porém, na maioria dos caos, eles não são devidamente informados a respeito da quantidade de gorduras, carboidratos e sódio em excesso contidas no mesmo alimento - afirma a advogada.


Fonte: Yahoo! Notícias (link original)


 
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