Encontre-nos no Facebook
Siga-nos no Twitter
Nosso Canal no YouTube

Artigos

Vinhos mono ou multivarietais?

 

          Até há poucos anos atrás, a maior parte da produção mundial de vinho era multivarietal, isto é, os vinhos eram elaborados a partir de várias variedades de uva. Na verdade, haviam poucas vinícolas que fizessem uma seleção criteriosa das castas, pelo que o vinho era originário de uma ou outra região, assumindo o respetivo blend de castas.

          Em tempos idos, alguns visionários começaram a plantar e a vinificar castas que não eram tradicionais na sua região, procurando dois objetivos. Por um lado, avaliar o interesse dessas castas para a melhoria dos seus próprios vinhos e, por outro, analisar a sua adaptação ao terroir para a produção de vinhos monovarietais, feitos a partir ou majoritariamente de uma casta apenas.

          Após algum tempo esta prática expandiu-se, todavia com outros objetivos. Muitos dos que criticavam a sua prática generalizada, sobretudo no Novo Mundo, renderam-se. Consequentemente, a pressão de um mercado imediatista e facilmente manipulado por uns quantos ditos especialistas, ajudou este impulsionamento. Até os concursos internacionais monovarietais passaram a ser um chamariz interessante para esta prática.

          Entretanto, alguns trabalhos foram desenvolvidos no sentido de melhorar a produção vitícola, começando pela seleção das castas mais adequadas a cada região, a cada terroir. De fato, esses trabalhos tiveram extrema importância na melhoria dos vinhos, principalmente nos oriundos do Velho Mundo.

          Na verdade, o progresso vitivinícola foi notório em todos os campos, tanto para as práticas vitícolas, como enológicas e até mesmo para a comercialização dos vinhos e marketing.

          Este processo foi, com certeza, um mal necessário. Contudo, trouxe consigo uma perda da variedade e da riqueza do vinho, da sua autenticidade e carácter. A meu ver, ter-se-á, portanto, que explorar a diversidade das castas e a consequente diversidade dos vinhos e não o contrário. Sendo assim, o caminho da globalização dos vinhos passa cada vez menos pela uniformidade e cada vez mais pela diversidade, ou seja, terá que haver um mercado para os vinhos massificados, mercado esse que tende a ter preços cada vez mais baixos e, por outro lado, um mercado para os vinhos que afirmam a sua diversidade, identidade e carácter, mercado este que tenderá a ser mais estratificado e com preços mais elevados.

Fonte: Inês Cruz, enóloga graduada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Portugal.

 
Outros artigos: