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O combustível da musculação

 

          Essa é o tipo de pergunta que ainda recebo com certa freqüência. A gente ainda encontra artigos na Internet falando que durante os exercícios aeróbios o principal combustível do corpo é o carboidrato e só depois de 30 minutos o corpo gasta gordura. Qual seria o tempo máximo de exercício aeróbio de media intensidade sem que haja perda de massa magra e sim perda de gordura? Posso fazer musculação e exercício aeróbio sem perder músculo?

          Esse é mais um mito que infelizmente ainda ronda o mundo da atividade física. O corpo não tem uma espécie de torneirinha que abre e fecha para gastar mais ou menos carboidratos com “x” minutos e depois fecha para gastar gordura como apregoam por aí dizendo que o corpo só começa a gastar gordura depois de 30 minutos. Ledo engano. Em princípio no início de um exercício aeróbio o corpo usa mais carboidrato do que gordura mas cada um tem seus limites na medida em que são mais ou menos treinados. Depois de certo tempo, variável para cada um, o corpo começa a gastar mais gordura, mas em determinado tempo passa a economizar também a gordura, por assim dizer, a título de preservação dos órgãos vitais e vai buscar combustível na proteína muscular induzindo um processo conhecido por catabolismo que é a perda de massa muscular. Talvez seja essa a razão dos maratonistas não adeptos à musculação serem tão magros. E como sempre comento e defendo é importante encontrar tempo para incluir pelo menos duas vezes na semana o treino de musculação ou fazer junto na mesma seção. Mais músculo representa mais oferta de proteína como combustível, menos sofrimento e menos lesões. Mais músculos não prejudica a velocidade da corrida como ainda justificam alguns corredores para não fazer musculação.

          É preciso sempre estabelecer qual é o objetivo. Se for emagrecimento as duas atividades são bem vindas em qualquer ordem porque o valor nessa questão é o balanço calórico negativo. Ou seja, a ordem é queimar calorias. É preciso ainda lembrar que a própria musculação por si só também emagrece contribuindo não só com a diminuição do percentual de gordura como também o aumento da massa muscular e a explicação é simples. Os exercícios de metabolismo anaeróbio como a musculação, emagrecem na mesma proporção. A diferença é que na hora do exercício o corpo utiliza o glicogênio muscular como principal fonte de energia. Depois tem que repor e vai buscar nas gorduras proporcionando o emagrecimento. O Dr. José Maria Santarém, uma das autoridades no assunto cita em um de seus artigos que os exercícios anaeróbios propiciam emagrecimento justamente no período pós-exercícios.

          Outro fato é que o aumento da massa muscular acelera o metabolismo basal fazendo em longo prazo o corpo gastar mais energia parado. De fato. Os fisiculturistas têm percentual de gordura tão baixo quanto atletas de resistência. Portanto, para emagrecer, tanto faz o cliente ir para a esteira ou bicicleta ergométrica antes, depois da musculação ou mesmo dividir aeróbio antes e depois. 

          Agora, quando o objetivo for musculação visando hipertrofia ou desenvolvimento da força, o questionamento pode mudar. Vai depender muito da intensidade e duração da atividade aeróbia antes ou após a musculação. As pesquisas mostram resultados, até benéficos, quando essa atividade não passa de 20 minutos com uma intensidade baixa de 40 a 60% da Freqüência Cardíaca Máxima. Uma intensidade mais alta ou duração maior, a solicitação motora pode ser contraditória ao desenvolvimento da força ocorrendo o que se conhece em Fisiologia por catabolismo. Existem trabalhos comparando atividade aeróbia de 20 com 40 minutos sendo favorável à primeira hipótese. Veja as conclusões de estudos de treinamento simultâneo citadas por Fleck, 99:

1) A força muscular pode ser comprometida, especialmente em ações musculares de alta velocidade, pela execução de treinamento de endurance de alta intensidade.

2) A potência muscular pode ser comprometida pela execução simultânea de treinamento de força e de endurance.

3) O desempenho anaeróbio pode ser negativamente afetado pelo treinamento de endurance de alta intensidade.

4) O consumo máximo de oxigênio não é comprometido pela ação simultânea de treinamento de força e endurance.

5) A endurance não é afetada negativamente pelo treinamento simultâneo. Portanto, está na hora de tentarmos acabar com esses mitos de emagrecimento.

Fonte: Prof. Luiz Carlos de Moraes, educador físico, personal trainer e proprietário de Estúdio de Treinamento Personalizado.

 
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